Inspirado em "The Pearl, A Magazine of Facetiae and Voluptuous Reading", um magazine erótico editado por William Lazenby, entre Julho de 1879 e Dezembro de 1880. Durante dezoito meses,antes de ser encerrado pelas autoridades, as suas publicações escandalizaram a púdica (?) sociedade vitoriana.
quinta-feira, 12 de abril de 2018
sábado, 13 de janeiro de 2018
Beije meus lábios
Com a minúcia de um ritual, beije meus pés
Depois massageie-os
Beije meus joelhos, os dois
Beije minhas coxas interna e externamente
Pule para meu umbigo
Passe a língua ao seu redor suavemente
Não deixe muita saliva
Use seus sentidos – todos
Sinta o odor que cada parte do meu corpo exala
Me vire bruscamente, mas com cuidado
Resvale seu nariz no córrego das minhas costas
Deslize as pontas dos dedos em minhas costelas
Me deixe com bolinhas por todo o corpo
Olhe, cheire, deguste, ouça meus seios
Depois beije um por um que é para não rolar ciúmes
Muita atenção ao pescoço
Ele tem o poder de arrepiar todos os meus pelos
Beije meu queixo, bochechas e suas covas
Minhas olheiras tão marcadas por te esperar
Meus olhos acostumados de te ver no pensamento
Minha testa como um pedido respeitoso
Para que eu abra minhas portas
Encha suas mãos com os meus cabelos
Memorize o nível de sua maciez
Embriague-se com o seu cheiro
Só então, depois de percorrer meus mundos
Beije meus lábios: o primeiro e os segundos...
Anne Lucy
Depois massageie-os
Beije meus joelhos, os dois
Beije minhas coxas interna e externamente
Pule para meu umbigo
Passe a língua ao seu redor suavemente
Não deixe muita saliva
Use seus sentidos – todos
Sinta o odor que cada parte do meu corpo exala
Me vire bruscamente, mas com cuidado
Resvale seu nariz no córrego das minhas costas
Deslize as pontas dos dedos em minhas costelas
Me deixe com bolinhas por todo o corpo
Olhe, cheire, deguste, ouça meus seios
Depois beije um por um que é para não rolar ciúmes
Muita atenção ao pescoço
Ele tem o poder de arrepiar todos os meus pelos
Beije meu queixo, bochechas e suas covas
Minhas olheiras tão marcadas por te esperar
Meus olhos acostumados de te ver no pensamento
Minha testa como um pedido respeitoso
Para que eu abra minhas portas
Encha suas mãos com os meus cabelos
Memorize o nível de sua maciez
Embriague-se com o seu cheiro
Só então, depois de percorrer meus mundos
Beije meus lábios: o primeiro e os segundos...
Anne Lucy
Peep Show:
Anne Lucy,
Poesia Erótica
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
domingo, 31 de dezembro de 2017
Fever 77º
Deixa-me entrelaçar margaridas
nos cabelos de teu peito.
Deixa-me singrar teus mares
mais remotos
com minha língua em brasa.
Quero um amor de suor e carne
agora:
enquanto tenho sangue.
Mas deixa-me sangrar teus lábios
com a adaga de meus dentes.
Deixa-me dilacerar teu flanco
mais esquivo
na lâmina de minhas unhas.
Quero um amor de faca e grito
agora:
enquanto tenho febre.
Caio Fernando Abreu
nos cabelos de teu peito.
Deixa-me singrar teus mares
mais remotos
com minha língua em brasa.
Quero um amor de suor e carne
agora:
enquanto tenho sangue.
Mas deixa-me sangrar teus lábios
com a adaga de meus dentes.
Deixa-me dilacerar teu flanco
mais esquivo
na lâmina de minhas unhas.
Quero um amor de faca e grito
agora:
enquanto tenho febre.
Caio Fernando Abreu
Peep Show:
Caio Fernando Abreu,
Música,
Poesia Erótica,
The Beatles
sábado, 30 de dezembro de 2017
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Amo uma mulher de longa cabeleira
Amo uma mulher de longa cabeleira
Como num lago mergulho em seu rosto suave
Minha fronte voga lentamente em seu ventre
Apalpo mordo afago seus volumes sedosos
Revisto cavidades torno-me a esponja do seu suco
Mulher meu pântano aranha tenebrosa
Labirinto infinito tambor palácio estranho
És minha única irmã de abandono e esquecimento
Teus peitos e tuas nádegas duplos montes gémeos
oferecem-me a brancura de uma pomba gigante
O amor que damos um ao outro é de noite na noite
Em crueldades magníficas reúne-nos a cama
Levantam-se colunas de respiração e odor
Trituro masco sorvo precipito-me
O desejo floresce entre túmulos abertos
Túmulos de beijos bocas ou moluscos
Ando a voar enfermo de venenos
Reinando em tuas membranas pleno de viço e errante
Nada termina nem começa tudo é triunfo
da ternura vigiada de silêncio
O pensamento afastou-se de nós
Nossas mãos juntam-se como pedras felizes
Está a mente quieta qual imóvel palmípede
As horas derretem-se os minutos esgotam-se
Não existe nada mais que agonia e prazer
Prazer tua cara não fala mas cavalga
sobre um mundo de nuvens na caverna do ser
Somos mudos não estamos na vida ridícula
Chegamos a ser terríveis e divinos
Fabricantes secretos de mel em abundância
Ouvem-se os gemidos da carne infatigável
Num instante ouvi metade do meu nome
a sair subitamente de teus dentes cerrados
Na luz consegui ver a expressão da tua face
que parecias outra mulher naquele êxtase
A escuridão põe-me furioso não te vejo
Não encontro tua cabeça e não sei o que toco
Quatro mãos afastam-se com seus dedos dormindo
e longe delas vagueiam também os quatro pés
Já não há donos não há mais que suspenso e vazio
O barco do prazer encalha no alto mar
Onde estás? Onde estou? Quem sou eu? Quem és tu?
Para sempre abandono este interrogatório
Ébrio enfeitiçado louco às portas da doença
grandiosa a paixão espero o turno fálico
Novamente num quarto estamos os dois juntos
Nus esplendorosos cúmplices da Morte.
Carlos Edmundo de Ory
Tradução: José Bento
Como num lago mergulho em seu rosto suave
Minha fronte voga lentamente em seu ventre
Apalpo mordo afago seus volumes sedosos
Revisto cavidades torno-me a esponja do seu suco
Mulher meu pântano aranha tenebrosa
Labirinto infinito tambor palácio estranho
És minha única irmã de abandono e esquecimento
Teus peitos e tuas nádegas duplos montes gémeos
oferecem-me a brancura de uma pomba gigante
O amor que damos um ao outro é de noite na noite
Em crueldades magníficas reúne-nos a cama
Levantam-se colunas de respiração e odor
Trituro masco sorvo precipito-me
O desejo floresce entre túmulos abertos
Túmulos de beijos bocas ou moluscos
Ando a voar enfermo de venenos
Reinando em tuas membranas pleno de viço e errante
Nada termina nem começa tudo é triunfo
da ternura vigiada de silêncio
O pensamento afastou-se de nós
Nossas mãos juntam-se como pedras felizes
Está a mente quieta qual imóvel palmípede
As horas derretem-se os minutos esgotam-se
Não existe nada mais que agonia e prazer
Prazer tua cara não fala mas cavalga
sobre um mundo de nuvens na caverna do ser
Somos mudos não estamos na vida ridícula
Chegamos a ser terríveis e divinos
Fabricantes secretos de mel em abundância
Ouvem-se os gemidos da carne infatigável
Num instante ouvi metade do meu nome
a sair subitamente de teus dentes cerrados
Na luz consegui ver a expressão da tua face
que parecias outra mulher naquele êxtase
A escuridão põe-me furioso não te vejo
Não encontro tua cabeça e não sei o que toco
Quatro mãos afastam-se com seus dedos dormindo
e longe delas vagueiam também os quatro pés
Já não há donos não há mais que suspenso e vazio
O barco do prazer encalha no alto mar
Onde estás? Onde estou? Quem sou eu? Quem és tu?
Para sempre abandono este interrogatório
Ébrio enfeitiçado louco às portas da doença
grandiosa a paixão espero o turno fálico
Novamente num quarto estamos os dois juntos
Nus esplendorosos cúmplices da Morte.
Carlos Edmundo de Ory
Tradução: José Bento
![]() |
| Man Ray, Celestial Tresses, 1937 |
Peep Show:
Carlos Edmundo de Ory,
Fotografia,
Man Ray,
Poesia Erótica
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
domingo, 3 de dezembro de 2017
“There is no love without eroticism, just as there can be no eroticism without sexuality … sex is the root, eroticism the stem, and love the flower.”
Octavio Paz, A Solar System from The Double Flame: Love and Eroticism
Octavio Paz, A Solar System from The Double Flame: Love and Eroticism
Peep Show:
Otavio Paz
sábado, 5 de dezembro de 2015
A boca
A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.
Levar-te à boca,
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?
Eugénio de Andrade
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.
Levar-te à boca,
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?
Eugénio de Andrade
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| Henri d'Ursel, La Perle, 1929 |
Peep Show:
Cinema,
Eugénio de Andrade,
Henri d'Ursel,
Poesia
terça-feira, 1 de setembro de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Poema sobre o amor
Hoje de manhã, ao acordar,
pensei:
hoje, o amor vai assaltar-te
embora não soubesse como ele é
nem o que vale.
Eu acho que as coisas realmente grandes na história
(tanto na história UNIVERSAL
como na história pessoal
mas talvez eu esteja errado)
de modo nenhum são feitas por amor
ou em amor ou qualquer coisa assim;
eu acho que as coisas realmente grandes
se fazem por razões completamente diferentes.
Por exemplo, a SIEMENS não constrói por amor
uma barragem em Cabora Bassa, e também
uma revolução do amor não
levará a nada.
Claro que se pode tentar
mas eu não acredito nisso.
E tentei
explicar isto à mulher-do-meu-amor
(que acordou logo a seguir a mim
talvez eu a tenha acordado
ao erguer-me para olhar para o despertador
passava pouco das onze e era sábado)
e ela disse
que não fazia SENTIDO
eu estar AGORA a explicar-lhe isto
e eu dei-lhe razão
e
ela
deitou a mão à minha piça. Depois
fizemos amor até ao meio-dia-e-meia
sem que daí
resultasse
nada de verdadeiramente grande
digamos: pelo menos com metade da grandeza
dos esforços de Leviné em Munique em 1919.
Jürgen Theobaldy
![]() |
| Colette Coughlin |
Peep Show:
Ars Erotica,
Colette Coughlin,
Jurgen Theobaldv
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
domingo, 28 de dezembro de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
sábado, 19 de julho de 2014
Soneto CLXVIII
Este que vês aqui, formosa dama,
Entre moles testículos pendente,
Já foi em outro tempo raio ardente,
Hoje é pavio, que não solta chama:
Este que vês aqui, já foi o Gama
Dos mares onde navega tanta gente;
Hoje é carcaça velha, que somente
Dos estragos que fez conserva a fama:
Este que vês aqui, foi do trabalho
O maior sofredor (quem tal dissera?)
Hoje do amor é lânguido espantalho:
Este que vês aqui, na ardente esfera,
Já foi flor, já foi luz, já foi caralho;
Mas hoje não é já quem dantes era.
António Lobo de Carvalho (1730-1787)
Peep Show:
António Lobo de Carvalho,
Poesia Erótica e Satírica
domingo, 22 de junho de 2014
domingo, 25 de maio de 2014
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