quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sonetos Luxuriosos - V

Põe-me um dedo no cu, velho pimpão,
Mete-lhe dentro o pau, mas sem afogo;
Levanta bem a perna, faz bom jogo,
Depois mexe, mas sem repetição.

Por minha fé, isto é melhor ração
Do que pão com alho e óleo junto ao fogo;
Se a cona te desgosta, muda logo.
Há homem que não seja um mau vilão?

Na cona hei de foder-te boa data
De vezes, pois em cona ou cu entrando,
O pau faz-me feliz e a ti beata.

Quem quer ser mestre é louco e é tolo quando
Por alheios prazeres malbarata
O tempo em que devia estar trepando.

Pois finda-te, esperando
Num palácio, que o tal morra, senhor
Cortesão, que eu sacio meu ardor.

Aretino (1492-1556)
tradução de José Paulo Paes

Ilustração de Paul Avril, de 1892, para "Sonetos Luxuriosos" de Aretino

2 comentários:

Eros disse...

Excelso!
Autêntico suspiro desbravado em verso.

Maria de Magdala disse...

Também acho, Eros.
Bem-vindo!

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