terça-feira, 30 de outubro de 2012

Soneto do século de ouro espanhol

– Que quer de mim, senhor? – Filha, foder-te.
– Diga com mais rodeios. – Cavalgar-te.
– Diga ao modo cortês. – Então, gozar-te.
– Diga ao modo pateta. – Merecer-te.

– Bem hajas que consigo compreender-te
e mal haja quem peça de tal arte.
Depois, o que farás? – Arregaçar-te
e com a pica alçada acometer-te.

– Tu sim hás de gozar meu paraíso.
– Que paraíso? Eu quero é minha porra
metida bem no fundo do teu racho.

– Com que rodeio o dizes, tão precioso!
– Caluda, amor, que de prazer já morra,
fodendo-te eu por cima, tu por baixo.

Anónimo
(trad. José Paulo Paes)


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