quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Nádegas

Entre as duas nádegas
o pávido sulco
tem aroma de áfricas 

e de uvas de outubro

Dirias que fora
um silvo de morte 

a penetrar toda
a nocturna flora
até hoje intacta
que ainda aí tinhas

Respira
Não fales
Murmura
Não grites

Que travo
de amoras
Que túnel escuro
Que paz no que sofres
por mais uns minutos

o pescoço vergas 

submissa e frágil
tal o de uma
égua 
que vai beber
água
mas encontra a
lua 


E junto da cama
a rosa viúva
com lágrimas brancas
já pede os meus dedos
sacudido apoio
para a viuvez
em que a deixo hoje

Muito mais a
norte 
os queixumes
calas
E nem gemes
Gozas
enquanto te invade
o suco da vara 

vertido no sulco
Vê como foi fácil
Respira mais
fundo.


David Mourão-Ferreira





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