terça-feira, 8 de maio de 2012

A uma mulher mal fodida, e, por isso, muito ranzinza e muito malvada

Mordendo o próprio rabo a pescadinha
É servida em Lisboa, pelas tascas;
Haja sol, faça frio, uivem borrascas,
E comida, co’o rabo na boquinha.

Ali encontrei u’a dona bem mesquinha,
Dos livros beliscando algumas lascas,
De alguns velhos papéis roendo as cascas,
Até julgar-se em seu saber rainha.

E era tão feia, que nem para freira
Servira. E escrota de corpo e tão fera
De humor, que alguém lhe disse um dia: “Espera!

Por que, ao invés de cuspir tanta asneira,
Já que ninguém te quer comer a cona,
Não tapas co’a bundinha essa bocona?”


Paulo Franchetti (n. 1954)


Paul Gavarni, c. 1840

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