sexta-feira, 11 de maio de 2012

Estavas linda Inês posta em sossego, de teu anus colhendo o doce fruito


Todos lemos em "Os Lusíadas" o triste e comovente episódio da "mísera e mesquinha", cruelmente anavalhada pelos esbirros de D. Afonso IV, enquanto - no tal engano de alma ledo e cego - repousava nos Paços de Coimbra.
Lemos e convencidos ficámos de que o Épico atribuía ao seu "colo de garça" e ao fogo da juventude os muitos favores e honrarias que ia obtendo do temível D. Pedro.
As coisas não eram, porém, rigorosamente assim. Para além do rico par de marmelos da pequena, da formosura da sua pele e do temperamento ardoroso e sensual, o soberano tinha outro roliço e suculento motivo para estar caído de amores e entrar com todo aquele balúrdio que tanto inquietava os responsáveis pela fazenda. Uma gaitada assim no estilo do "Último Tango em Paris", não sei se me faço entender...
Precisando melhor: a origem do "doce fruito" que a jovem colhia não era propriamente "anual" (de anos), mas "anal", como de resto o Épico deixou bem expresso na primeira edição do seu livro.
A censura da tenebrosa Inquisição, o puritanismo religioso e a hipocrisia oficial é que transformaram a expressão "de teu anus" em "de teus anos", deturpando as intenções do poeta e obrigando a alterar o texto nas edições seguintes, para salvaguarda da moral burguesa - a eterna inimiga, como sabeis, da liberdade da expressão artística.
Felizmente porém (e enquanto o D. Pedro andava à caça...) o FOTÓGRAFO ESTAVA LÁ, na intimidade dos aposentos da Inês e pôde assim contribuir, com o seu testemunho indesmentível, para repor a verdade histórica.

"Gaiola Aberta", nº 15, 2 de Abril de 1975


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