quinta-feira, 18 de agosto de 2011

“Sonnet du Trou de Cul”

Um poema composto por Artur Rimbaud e Paul Verlaine, em 1872.

Obscur et froncé comme un œillet violet
Il respire, humblement tapi parmi la mousse
Humide encor d’amour qui suit la fuite douce
Des Fesses blanches jusqu’au cœur de son ourlet.

Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré, sous le vent cruel qui les repousse,
À travers de petits caillots de marne rousse
Pour s’aller perdre où la pente les appelait.

*

Obscuro e franzido como um cravo roxo,
Humilde ele respira escondido na espuma,
Húmido ainda do amor que pelas curvas suaves
Dos glúteos brancos desce à orla de sua auréola.

Uns filamentos, como lágrimas de leite,
Choraram, ao vento inclemente que os expulsa,
Passando por calhaus de uma argila vermelha,
Para escorrer, por fim, ao longo das encostas.

Muita vez minha boca uniu-se a essa ventosa;
Sem poder ter o coito material, minha alma
Fez dele um lacrimário, um ninho de soluços.

Ele é a tonta azeitona, a flauta carinhosa,
Tudo por onde desce a divina pralina,
Canaã feminino que eclode na humidade.


tradução de Heloísa Jahn

Paul-Émile Bécat (1885-1960)

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