quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Nu Masculino II

A Cristandade, com o seu mito central do Pecado Original personificado por Adão e Eva e pela descoberta da vergonha sexual após o acto de desobediência às ordens de Deus, foi naturalmente hostil a todas as representações de corpos despidos. A tradição pagã encontrava-se, porém, demasiado implantada, especialmente em Itália, para ser permanentemente suprimida. Nos meados do século XIII, o escultor italiano Nicola Pisano reverte para os protótipos clássicos com uma das suas obras mais importantes: o púlpito no Baptistério de Pisa (1260) que representa um homem nu - uma alegoria de Força - derivado das representações de Hércules presentes nos sarcófagos romanos.


O Adão nu na Capela de Masaccio Brancacci em Florença, que data de c. 1427, possui um convincente realismo que teria sido impossível sem o conhecimento dos precedentes da Antiguidade. A Eva que o acompanha é de algum modo menos convincente do ponto de vista anatómico.


Havia razões para esta disparidade que estavam enraizadas nas práticas oficinais da Renascença. Os artistas estavam organizados em lojas (resquícios de práticas medievais) e eram chefiados por um mestre. Estas lojas eram negócios inteiramente masculinos e quando eram precisos modelos, os artistas posavam uns para os outros. Desenhos de Rafael (1485 - 1520) para algumas das suas Madonas, por exemplo, mostram que os primeiros esboços foram feitos com rapazes pequenos, neste caso completamente vestidos. Dadas as convenções sociais da época, a ideia dos artistas poderem fazer estudos de mulheres nuas era ainda um conceito impensável.

Fonte: Ars Erotica, de Edward Lucie-Smith

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