quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Já que o coito - diz Morgado


Achille Deveria


Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! - uma vez.
E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

Natália Correia

Este poema foi escrito em 1982 e foi dedicado ao deputado João Morgado do CDS que num debate sobre a lei do aborto dissera:
"O acto sexual só é justificável tendo por objectivo a procriação."

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