domingo, 28 de novembro de 2010

Erotismo no séc. XIX (2)



Na Inglaterra vitoriana, ao lado dos clássicos - Dickens, Thackeray, George Eliot, Trollope, Thomas Hardy - encontramos uma série de narrativas eróticas com a descarada intenção de excitar. Entre estes livros encontram-se Venus in India, por "Captain Charles Devereau", e os anónimos First Training e The Adventures of Lady Harpur. O primeiro destes passa-se na altura da Primeira Guerra Afegã (1840). Os outros dois pertencem aos anos 80 seguintes. Em todas estas três titilantes obras, a caracterização enfatiza a ideia das mulheres como personalidades independentes, em busca da sua própria satisfação e desdenhosas da hipocrisia sexual. Não é esta a sociedade vitoriana - reprimida, educada e repelida pelo sexo - que nos é normalmente apresentada.

O grande clássico erótico da literatura inglesa deste período é My Secret Life, por "Walter" (c. 1888), um registo altamente pormenorizado em vários volumes da odisseia sexual de um homem. My Secret Life é apresentado como facto e não ficção, e apesar do enorme número de encontros que relata, esta pretensão parece convincente.

O livro apresenta um cândido e totalmente natural panorama da vida sexual vitoriana, tal como era vista pelos olhos de um homem de ilimitados apetites eróticos. Publicado originalmente numa edição muito limitada, não se tornou geralmente disponível, mesmo de forma clandestina, até princípios do século XX.

I went back to the fair and later on met outside it a very short girl, who seemed too respectable to be by herself and had her veil down. I spoke with her, found she was going my way, and walked with her. She knew my name, and where I lived. Two nights scrambling had not got me a poke, that I suppose made me bold enough to make advances to this modest, quiet girl; I stole a kiss, then another, then a hug, then a feel, and finally, with scarcely any hindrance, fucked her. We walked and talked when it was over, she would not tell me her name or address, nor give me a glimpse of her face; I fucked her again against our own garden-wall, insisted on knowing where she lived, said I would walk till I saw, and did walk with her for about an hour. She said, "If you walk about all night you shall never know where I live, but you may do it again if you like, or I will meet you to-morrow, but I dare not let you see where I go". I feared I could  not poke again, so stopped to piss. She modestly walked on a little; I frigged my prick until the steam was up, then in her well-moistened cunt consummated, and parted, promising to meet her the next night.
(...) The next night came, the unknown girl did not keep her appointment, and the following morning found I had the clap.
Walter, My Secret Life, cap.12


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