sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sim...Sim!

E.M. de Melo e Castro nasceu na Covilhã em 1932. Poeta, crítico e ensaísta, é teórico e praticante do experimentalismo poético e também um dos seus principais difusores em Portugal. É igualmente considerado um  introdutor da poesia concreta em Portugal (com o livro “Ideogramas”) e pioneiro da videopoesia (com Roda Lume). É autor de inúmeros livros, dentre os quais: Finitos mais Finitos; Literatura Portuguesa de Invenção; Visão Visual; O Fim Visual do Século XX; O Próprio Poético,de entre outros.

Poemas eróticos, pornô, caralhamas, conemas, de engate, execráveis, maneiristas, neobarrocos, subprodutos, desaforismos, escatológicos ou do esgoto, seguidos dos mui inducativos textículos de R’manceu = zero, tudo para gáudio geral.

 E.M. de Melo e Castro em  “Sim...Sim!”


mais difícil é falo
que falá-lo
mais difícil é língua
do que lua
mais difícil é dado
do que dá-lo
mais difícil vestida
do que nua
mais fácil é o aço
do que achá-la
mais fácil é dizê-la
que contê-la
mais fácil é mordê-la
que comê-la
mais fácil é aberta
do que certa
nem difícil nem fácil
nem aço nem licor
nem dito nem contacto
nem memória de cor
só mordido só tido
só moldado só duro
só molhada de escuro
só louca de sentido
fácil de falá-lo
difícil de contê-lo
o melhor é calá-lo
o melhor é fodê-lo

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