segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pompeia

A descoberta das perdidas cidades romanas de Herculano e Pompeia, feita a partir de 1748, fez reviver o interesse nos frescos romanos que tinham influenciado a geração de Rafael e Giulio Romano. Ao mesmo tempo, foi também um considerável choque cultural.


Pela primeira vez, a Antiguidade era visível na sua totalidade do dia-a-dia. A grande quantidade de representações eróticas descoberta nas duas cidades soterradas colocou a classe culta da época perante um dilema - tornado ainda maior porque grande parte da sua educação se baseava no estudo dos textos clássicos.


Como poderiam estas figuras ser absorvidas pela imagem idealizada do mundo clássico passada de geração em geração pelos professores, que tinham cuidadosamente desviado os pupilos das passagens eróticas que se encontravam em autores clássicos admirados, tais como Catulo e Ovídio?


A solução encontrada foi que estas imagens fossem postas de parte e estivessem à disposição apenas dos mais maduros e sofisticados. As trivialidades sexuais da vida da Antiguidade foram escondidas no tristemente famoso Museu Secreto em Nápoles, para serem vistas mediante pagamento de uma taxa e somente por membros do sexo masculino.



Alguns teóricos modernos sugeriram que a moderna noção de "pornografia" obteve as suas raízes nestas descobertas de Pompeia, e especificamente na procura de lidar com elas e de neutralizá-las sem negar inteiramente a sua existência.


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