domingo, 12 de setembro de 2010

O Beijo


A obra de Auguste Rodin, "O Beijo" (1887) foi inspirada na paixão avassaladora de Francesca da Polenta por  Paolo, irmão mais novo do seu esposo, Giovanni Malatesta, narrada por Dante no Canto V da Divina Comédia, círculo II, dedicado aos luxuriosos. Dizia Francesca:

Quando lemos do desejado riso
a ser beijado por tão grande amante,
e este, que de mim seja indiviso,
a boca me beijou todo anelante.

Francesca conta como a leitura de um romance de cavalaria, no momento em que Guinivera e Lançarote se beijavam, despertou em si um desejo avassalador que a levou ao adultério e, por consequência, ao Inferno.

No entanto, se olharmos mais atentamente para a escultura de Rodin, verificamos que Francesca e Paolo não chegam a tocar os lábios. Talvez por isso a obra, de estilo neoclássico, seja ainda mais erótica, pois sugere a união de dois corpos nus sem falsos moralismos nem pudores. O beijo que não chega a consumar-se, leva-os à condenação eterna mas também lhes dá a imortalidade.





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