sexta-feira, 13 de agosto de 2010

I Modi


I Modi, mais conhecidos pelo título em inglês Aretine's Attitudes, consistem numa série de desenhos que ilustram várias posições para relações heterossexuais. Foram desenhados por volta de 1524 por Giulio Romano (1499 - 1546), o assistente-chefe de Rafael, gravados por Marcantonio Raimondi (c. 1480? - 1534), responsável pela reprodução de muitas composições de Rafael, e acompanhados por uma série de poemas do incorrigível sátiro e propagandista Pietro Aretino (1492 - 1557). A colecção causou tumulto na Roma papal e os três "criminosos" tiveram de fugir.



Giulio Romano refugiou-se em Mântua, cujo duque reinante ficou muito contente em empregar um artista tão eminente. Menos afortunado, Raimondi foi preso durante algum tempo por um furioso Papa Clemente VII. Aretino fugiu para Veneza, e deste porto seguro pôde conduzir um negócio proveitoso de chantagem literária (oferecendo-se para suprimir as suas próprias sátiras em troca de adequadas somas em dinheiro).



As gravuras foram destruídas onde quer que os puritanos se encontrassem, apenas sobrevivendo até hoje uma crua série de cópias em madeira, só redescobertas em 1928 depois de ficarem na posse de Walter Toscanini, o coleccionador de livros, filho do grande maestro Arturo Toscanini.



Se bem que pouco prazer estético se possa obter destas cópias, elas demonstram o facto de Giulio Romano se ter baseado em precedentes gregos e romanos. Os seus desenhos estão em dívida para com os frescos eróticos por artistas clássicos que então começavam a ser descobertos em Roma por meio de escavações de palácios imperiais soterrados, tais como a Casa Dourada de Nero.



Os poemas de Aretino, por outro lado, mostram que as descrições e representações de actos sexuais continuaram a ser necessariamente vistos através do complexo prisma da tradição judaico-cristã.



Os I Modi são também uma sátira à corte papal e representam algumas das principais cortesãs da época com os seus amantes aristocratas, sendo cada uma delas identificável através de alguma especialidade sexual em particular. Os leitores da época teriam também sabido quem era quem.



Vamos Foder, Querido Coração
(Sonetti Lussuriosi 9)

"Vamos foder, querido amor; p'ra dentro e p'ra fora,
Pois temos a obrigação de foder por termos nascido,
E tal como eu anseio por cona, tu anelas por corno,
Porque, sem isso, o mundo não faria sentido.

Se depois da morte fosse decente ser possuído,
Eu diria: Vamos foder, vamos foder até morrer;
Uma vez lá, todos foderemos - tu, Adão, Eva, e eu -
Pois eles inventaram a morte e pensaram-na má.

É verdade que mesmo que aqueles dois primeiros ladrões
Nunca tivessem comido aquele fruto pérfido,
Nós ainda saberiamos como foder (mas não usar folhas).

Mas agora deixemo-nos de conversas; apontemos e disparemos
A picha direita ao coração, e façamos com que a alma
Seja arrebatada ao morrer em uníssono com a verga.

E poderia o vosso grande buraco
Receber como testemunhas estas bóias oscilantes
Para uma interna declaração das nossas alegrias ?"


Pietro Aretino




gravuras de Carracci

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